Porque é que a avaliação de risco climático conta
- Risco de ativos: ativos físicos como imobiliário podem ser gravemente afetados por eventos meteorológicos extremos. O furacão Sandy provocou mais de 70 mil milhões de dólares em danos em 2012, sublinhando a vulnerabilidade das propriedades costeiras. Também os incêndios na Califórnia desencadearam pedidos de seguro enormes e subidas de prémios — com consequências para todos os valores imobiliários regionais.
- Risco operacional: as cadeias de abastecimento são cada vez mais interrompidas por eventos relacionados com o clima. Durante as cheias na Tailândia em 2011, muitos fabricantes tiveram de absorver atrasos massivos e prejuízos financeiros — um argumento claro a favor de cadeias de abastecimento diversificadas. Empresas como a Toyota e a Honda viram paragens de produção a propagarem-se pelas suas cadeias de abastecimento globais, expondo a interligação da criação de valor moderna.
- Risco regulatório: governos em todo o mundo estão a apertar as regras climáticas. O EU Green Deal pretende tornar a Europa neutra em carbono até 2050 e obriga as empresas a padrões ambientais rigorosos. Nos EUA, a SEC está a propor regras de disclosure de risco climático para empresas cotadas — um sinal do crescente foco regulatório na sustentabilidade.
- Risco de mercado: as preferências dos consumidores estão a mudar para produtos sustentáveis. As empresas que não se adaptam perdem quota de mercado. A indústria automóvel, por exemplo, atravessa uma transição rápida para veículos elétricos — empurrada por regulação e procura. O domínio de mercado da Tesla mostra o que a inovação sustentável pode significar financeiramente.
Conclusões concretas para CFOs
- Integrar o risco climático nos modelos financeiros: incorpora os riscos climáticos nas previsões e nas decisões de investimento — incluindo potenciais danos físicos, custos regulatórios e mudanças de mercado.
- Diversificar as cadeias de abastecimento: reduz a dependência de fornecedores individuais ou de regiões vulneráveis ao clima. Estratégias robustas de cadeia de abastecimento atenuam o impacto de disrupções locais nas operações globais.
- Fazer scenario planning: desenvolve múltiplos cenários para perceber impactos e respostas. Isso ajuda a preparar diferentes desfechos e garante a continuidade do negócio em diferentes cenários climáticos.
- Antecipar a regulação: acompanha as novas regras climáticas em formação e prepara-te para evitar custos de compliance e sanções. Envolver-te com decisores políticos e associações setoriais dá-te sinais antecipados sobre tendências regulatórias.
- Investir em sustentabilidade: prioriza investimento em tecnologias e práticas sustentáveis — para resiliência e rentabilidade a longo prazo. Isso inclui infraestrutura eficiente, renováveis e desenvolvimento de produto sustentável.
Ao abordar de forma proativa os riscos climáticos em conjunto com os seus gestores ESG, os CFOs podem proteger as suas organizações contra a incerteza futura e impulsionar um crescimento sustentável. As empresas que integram a avaliação de risco climático no seu planeamento financeiro estão mais bem posicionadas para navegar a complexidade de um mundo em mudança — e para se manterem bem-sucedidas e resilientes a longo prazo.

